Avançar para o conteúdo principal

Os efeitos da resposta de stress no corpo

 

Todos já experienciamos stress e a forma como gerimos o stress varia de pessoa para a pessoa. Apesar da resposta do stress ser um mecanismo de defesa brilhante, a exposição a este tipo de resposta de uma forma contínua ou crónica acarreta consequências negativas para a nossa saúde física e mental.

O que é stress?

O stress é a resposta fisiológica que é desencadeada pelo organismo quando este perceciona a ameaça ou o perigo.

Por exemplo, imagine uma zebra que se encontra na savana a deliciar-se da sua erva fresquinha e que, assim que se apercebe da presença de uma chita, desata a correr, conseguindo-se escapar de forma ilesa. Tudo isto acontece por causa da resposta de stress, também conhecida como resposta de luta ou fuga. A ativação deste tipo de resposta inclui a libertação de hormonas como adrenalina e cortisol. A adrenalina estimula o corpo para uma resposta imediata aumentando a frequência cardíaca, a pressão sanguínea, a respiração, entre outros efeitos. O cortisol, conhecido como hormona do stress, é responsável pelo aumento dos níveis da glicose na corrente sanguínea e no cérebro, pelo aumento da pressão arterial e pelo aumento das substâncias responsáveis pela reparação dos tecidos na corrente sanguínea, entre outras ações no corpo.

Após este encontro, já segura, a zebra volta à sua vida normal e a reposta de stress é desativada, isso é, as hormonas do stress retornam aos níveis normais até um próximo encontro com um potencial predador.


 À semelhança dos animais, os humanos também estão capacitados com esse mecanismo de defesa/sobrevivência. Imagine que, enquanto faz o seu percurso casa-trabalho, tem um encontro inesperado com um cão e que grita e foge do animal. Repare que não teve tempo para pensar no que ia fazer, reagiu instintivamente.

Contudo, contrariamente aos animais, os humanos têm a capacidade de anteciparem o perigo, isto é, de se preocuparem com a possibilidade de se encontrarem novamente com a fonte de ameaça (ex: “e se encontrar o cão amanhã?”). Esta capacidade de antecipar o perigo permite-nos prever e planear a forma de lidar com uma possível ameaça. Porém, se a preocupação se tornar distorcida, excessiva ou persistente, a resposta de stress mantém-se ativada porque corpo não recebe um sinal claro para desativar esse mecanismo de defesa e voltar ao seu estado normal.

A exposição a resposta de stress de forma prolongada e consequentemente das hormonas de stress, particularmente do cortisol, pode alterar o funcionamento do sistema imune, suprimir o funcionamento do sistema digestivo e reprodutivo. Nestas situações a resposta do stress pode aumentar o risco de desenvolvimento de vários problemas físicos e mentais tais como problemas cardíacos, digestivos, alterações do sono, ansiedade, depressão, obesidade, entre outros. 

A realização de atividades como o mindfulness/meditação, atividade física, exercícios de respiração e de relaxamento muscular ajudam a reduzir os efeitos negativos da resposta de stress e da preocupação. Porém, se está a ter dificuldades em lidar com a resposta de stress ou com a preocupação e tem dificuldades em colocar em prática as atividades sugeridas, procure a ajuda de um profissional. 

Dra. Jacqueline Ferreira 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Solidão vs. Solitude - do Sofrimento ao Autoconhecimento

  Todos nós, em algum momento da vida, podemos já ter tido períodos em que nos encontrámos sozinhos. Talvez estivéssemos longe de pessoas com quem costumamos contar para nos ajudarem; ou pode ser que, mesmo com pessoas por perto, sentíssemos que estávamos por nossa conta; ou que, mesmo que precisássemos, não estaria lá ninguém para nós; ou ainda que não seríamos a escolha de ninguém. Estarmos sozinhos é diferente de nos sentirmos sozinhos – a Solidão é, assim, um estado emocional que pode surgir mesmo quando estamos rodeados de pessoas, na medida em que, na sua essência, reside na falta de vínculos seguros e no sentimento de não pertença. É frequentemente vista como uma experiência negativa, sendo associada à sensação de se estar isolado, de não se ser compreendido ou de se sentir desligado (ou emocionalmente distante) dos outros. Por consequência, a solidão poderá potenciar o desenvolvimento de sintomatologia depressiva e ansiedade (Bravata et al., 2024; Liu et al., 2025) . Senti...

Inteligência Emocional na Docência: Estratégias para a promoção da Saúde Mental no contexto escolar

  A docência é, indiscutivelmente, uma profissão de elevada exigência emocional. Todos os dias, Professores e Educadores lidam com situações que exigem uma capacidade empática, de autocontrolo, resiliência e assertividade. Ser professor implica mais do que o domínio dos conteúdos . A prática docente é pautada por diversos fatores geradores de stress e sobrecarga, tais como: ⮚        Gestão de comportamentos desafiantes em sala de aula; ⮚        Pressão de familiares e sociais; ⮚        Falta de valorização profissional; ⮚        Conflitos com colegas ou direção; ⮚        Excesso de tarefas administrativas; A ausência de estratégias adequadas de regulação emocional pode levar a um estado de exaustão , caracterizado por sintomas como cansaço extremo, irritabilidade, isolamento social e sentimentos de inutilidade. Neste co...

Bonecas Reborn e a Dor Invisível – o peso de um colo vazio

    As bonecas  reborn , conhecidas pelo seu realismo, surgiram nos Estados Unidos entre o final dos anos 80 e início dos anos 90. Inicialmente, eram resultado do trabalho de artistas que transformavam bonecas convencionais em réplicas muito fiéis de recém-nascidos. Cada detalhe era cuidadosamente trabalhado: desde a pintura da pele, ao cabelo inserido fio a fio, até ao peso e textura corporal, conferindo-lhes uma aparência notavelmente próxima da realidade. O que começou como um passatempo artístico para colecionadores transformou-se num fenómeno com impacto emocional. Com o passar do tempo, estas bonecas começaram a ser usadas em contextos terapêuticos. Em lares de idosos, por exemplo, tornaram-se uma estratégia não farmacológica em situações de demência. A chamada  doll therapy  tem vindo a ser estudada como uma abordagem eficaz na diminuição de sintomas como agitação, ansiedade, agressividade e isolamento. Em alguns casos, verificaram-se melhorias no humor, ...