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A mostrar mensagens com a etiqueta psicologia clínica

Irritabilidade e ‘estados de alerta’ constantes: Como identificar, entender e agir

  A irritabilidade é uma experiência emocional comum, mas quando se torna persistente, intensa ou acompanhada por uma sensação constante de estar “em alerta”, pode ser um sinal de sofrimento psicológico ou de uma condição de saúde subjacente. Reconhecer estes sinais é essencial para promover o bem-estar e prevenir o agravamento dos sintomas (APA, 2022; WHO, 2022). O que é a irritabilidade? A irritabilidade refere-se a um estado emocional caracterizado por raiva, frustração, impaciência e baixa tolerância ao stress. Pessoas em estados irritáveis tendem a reagir de forma desproporcional a pequenos contratempos e podem parecer constantemente tensas, reagindo de forma brusca ou explosiva (Stringaris, 2011; Brotman et al., 2017). Do ponto de vista clínico, a irritabilidade não é um diagnóstico isolado, mas um sintoma comum a vários transtornos, presente em vários quadros de saúde mental descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (APA, 2022) e na Cla...

A importância que damos ao sono pode não ser a importância que o sono tem

O sono é uma necessidade biológica essencial para o funcionamento físico, cognitivo e emocional do ser humano. Dormir não é um luxo e muito menos uma perda de tempo: é um processo ativo, regulado por mecanismos neurobiológicos complexos, que permite ao organismo um funcionamento adequado para as suas funções.  Alterações persistentes no sono têm impacto direto na nossa saúde física e mental, no desempenho diário e na qualidade de vida, pelo que devemos acautelar um sono que cumpra critérios de tempo (número mínimo de horas) e de qualidade. É durante o sono que ocorrem processos fundamentais para o equilíbrio do organismo, como a consolidação da memória e consequente aprendizagem, regulação emocional, recuperação muscular, fortalecimento do sistema imunitário e regulação hormonal (e.g., Feeney et al., 2025). Por outro lado, a privação de sono ou a má qualidade do mesmo, pode, por exemplo, comprometer as nossas capacidades de concentração, promover maiores níveis de irritabilidade, a...

O meu filho está a ser vítima de bullying - e agora?

  Se é pai/mãe ou cuidador de uma criança ou adolescente e tem a suspeita que este corre o risco ou está a ser vítima de bullying, este artigo pode ser uma base de suporte e orientação para o que fazer: nele vai encontrar informações pertinentes para perceber o que é o bullying, que formas pode assumir, a que sinais deve estar atento e o que deve fazer em caso de suspeita ou confirmação.   O bullying é um comportamento agressivo e violento, levado a cabo por um ou mais indivíduos com a intenção de prejudicar, magoar ou controlar alguém. Distingue-se também pelo seu caráter repetitivo, podendo assumir várias formas:  verbal  (e.g., alcunhas pejorativas, ameaças, boatos);  físico  (e.g., empurrar, bater, cuspir, toques inapropriados);  psicológico  (e.g., exclusão social, humilhação pública);  material  (e.g., apropriação ou destruição de materiais e objetos da vítima) e  cyberbullying  (efetuado através das plataformas digitais ...

Pensamentos obsessivos ou teimosia?

  Os pensamentos obsessivos e a teimosia são fenómenos psicológicos distintos, mas partilham algumas semelhanças. Deixo-lhe as principais diferenças entre os dois. Natureza e Origem Teimosia: É um traço de personalidade caracterizado por uma forte determinação em manter opiniões, crenças ou decisões. Muitas vezes, surge do desejo de afirmar independência, manter controlo ou resistir à influência externa. Pensamentos Obsessivos: É um sintoma de várias condições de saúde mental, como a perturbação obsessivo-compulsivo (POC). Os pensamentos obsessivos são intrusivos, indesejados e repetitivos, causando angústia à pessoa que os experimenta. Surgem tendo a ansiedade por base e podem ser completamente irracionais ou irreais. Vontade e Controlo Teimosia: Geralmente, os indivíduos teimosos estão cientes da sua posição/ opinião e escolhem mantê-la apesar da pressão externa. É uma decisão consciente de resistir à mudança. Pensamentos Obsessivos: Pessoas com pensamentos obsessivos sentem-se ...

O que fazer com o medo das nossas crianças?

Medo. Uma simples palavra que pode levar-nos no imediato a pensar em inúmeras coisas, muito possivelmente com graus diferentes de desconforto. Apesar de ter uma fama pouco simpática, o medo é, na verdade, uma das nossas emoções básicas e cumpre um papel fundamental nas nossas vidas. O medo ajuda-nos a protegermo-nos dos mais variados cenários e perigos (reais ou imaginários), porque atua ao desencadear no nosso organismo respostas cognitivas, psicofisiológicas e motoras de prevenção (quando hipotetizamos os mais variados cenários), e de alerta, que nos fazem evitar determinadas situações potencialmente perigosas. Olhou para os dois lados antes de atravessar a estrada? Agradeça ao seu medo de ser atropelado por tê-lo protegido desse cenário pouco conveniente! Tal como nós adultos temos a nossa bagagem de medos (uns mais conscientes que outros), também as crianças interagem com esta emoção e, regra geral, não fogem das reações fisiológicas que a resposta de medo pode desencadear no nosso...

A autoestima das nossas crianças – o que fazer para a promover?

A autoestima é complexa de definir e é um conceito que engloba o juízo de valor que fazemos relativamente a características que temos. Gostamos do que somos? Gostávamos de ser diferentes? Comparamo-nos com os outros e achamos que somos piores? Melhores? Que imagem gostamos de projetar para os outros? Como achamos que somos vistos? Como nos vemos a nós próprios?   Talvez mais importante do que tentar arranjar uma definição consensual, seja discutir o porquê de a autoestima ser um tópico importante de reflexão. Pode não parecer, mas neste conceito residem uma diversidade de constructos importantes para o nosso bem-estar, saúde e desenvolvimento. E claro, melhor do que trabalharmos nisto em adultos, é tentarmos incutir nas nossas crianças estas noções básicas de amor-próprio para que elas possam crescer num ambiente equilibrado, tornando-se adultos plenos e capacitados.  Uma boa autoestima permite às nossas crianças expressarem-se de forma saudável, aprenderem a cuidar ...

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A importância do brincar!

O brincar. Parece simples, mas tem muito que se lhe diga. Se para nós adultos o brincar de uma  criança é observá-la a materializar a imaginação através da manipulação de objetos em  passo desenfreado de “faz-de-conta”, para a criança o brincar representa muito mais.  É, aliás, extremamente valioso, porque é através da brincadeira que esta comunica e  se desenvolve. Alguma vez se questionou porque é que com um simples pau a criança  faz uma espada ou varinha de condão e é subitamente cavaleiro medieval ou poderosa  feiticeira? Embora possam apreciar brinquedos complexos e as personagens das suas  histórias favoritas, na falta de algo mais elaborado a mente da criança contrapõe, com  toda a mestria e sem esforço, essa lacuna tornando as coisas simples em coisas  mágicas – e úteis! É na brincadeira que a criança treina expressões, gestos e sons que mais tarde se observam nas suas competências sociais e de linguagem. O brincar desenvolve a...