Chorar é um dos comportamentos humanos mais universais e, paradoxalmente, um dos menos compreendidos. Embora esteja muitas vezes associado (erroneamente) a fraqueza ou perda de controlo, a verdade é que o choro é uma resposta fisiológica complexa, biologicamente adaptativa e fundamental sob o ponto de vista psicológico para o nosso bem-estar. É interessante que o choro começa por ser, no momento do nascimento, algo expectável e desejável. Quando somos bebés, ele é uma das primeiras e mais claras formas de comunicação humana. Quando ainda não temos ligações neuronais que nos permitam compreender e reproduzir vocábulos, o choro é um sinal acústico que alerta para a necessidade de cuidado e aumenta, desta forma, a probabilidade de sobrevivência. Nos primeiros tempos, pode sinalizar, por exemplo, fome, frio, necessidade de colo, sono, dores (e.g., Wang et al., 2025) – choros que, muitas vezes, ganham características próprias e permitem aos cuidadores identificar o que está em fal...
Desejar que vida seja meramente construída por momentos de conforto e felicidade é uma utopia – um sonho irrealista. Regular as nossas emoções em momentos desafiantes, como um luto, e aprender a gerir mudanças que estão fora do nosso controlo não é fácil, mas é necessário para viver com saúde e bem-estar. O luto é um processo normativo e adaptativo face à perda significativa de algo ou alguém, que todos nós já experienciámos ou iremos experienciar em algum momento da nossa vida. Este evidencia-se como um momento marcante para a pessoa enlutada, e embora algumas perdas sejam mais significativas que outras considerando o vínculo estabelecido, estas tendem a ser desafiadoras a nível emocional, cognitivo e comportamental, sendo a tristeza, a desorientação, a vontade de se isolar do mundo e as alterações do apetite e do sono alguns dos indícios comuns experienciados (Franco, 2008). O processo do luto não é vivenciado da mesma forma por todas as pessoas. Nesse sentido, é importante...