Desejar que vida seja meramente construída por momentos de conforto e felicidade é uma utopia – um sonho irrealista. Regular as nossas emoções em momentos desafiantes, como um luto, e aprender a gerir mudanças que estão fora do nosso controlo não é fácil, mas é necessário para viver com saúde e bem-estar. O luto é um processo normativo e adaptativo face à perda significativa de algo ou alguém, que todos nós já experienciámos ou iremos experienciar em algum momento da nossa vida. Este evidencia-se como um momento marcante para a pessoa enlutada, e embora algumas perdas sejam mais significativas que outras considerando o vínculo estabelecido, estas tendem a ser desafiadoras a nível emocional, cognitivo e comportamental, sendo a tristeza, a desorientação, a vontade de se isolar do mundo e as alterações do apetite e do sono alguns dos indícios comuns experienciados (Franco, 2008). O processo do luto não é vivenciado da mesma forma por todas as pessoas. Nesse sentido, é importante...
A Gratidão é frequentemente apresentada como um valor universal. Desde cedo aprendemos a dizer “obrigado” e a reconhecer aquilo que os outros fazem por nós. De facto, a Gratidão está associada a benefícios emocionais e interpessoais, a maiores níveis de satisfação com a vida e a uma maior capacidade regulação emocional (Emmons & McCullough, 2003; Jans-Beken, et. al, 2019). Enquanto emoção cognitiva complexa , é o resultado da atribuição de significados positivos que se dá a uma determinada experiência afetiva. Assim, a Gratidão pode favorecer o fortalecimento das relações interpessoais, promover comportamentos pró-sociais, resiliência e contribuir para o bem-estar psicológico (Algoe & Zhaoyang, 2016; Kerry et. al, 2023). Contudo, estes benefícios tendem a emergir quando a gratidão é vivida como escolha interna e não como imposição moral ou mecanismo de reparação constante. Quando a gratidão se confunde com obrigação , esta deixa de ser um reconhecimento genuíno e pode tran...