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Irritabilidade e ‘estados de alerta’ constantes: Como identificar, entender e agir

  A irritabilidade é uma experiência emocional comum, mas quando se torna persistente, intensa ou acompanhada por uma sensação constante de estar “em alerta”, pode ser um sinal de sofrimento psicológico ou de uma condição de saúde subjacente. Reconhecer estes sinais é essencial para promover o bem-estar e prevenir o agravamento dos sintomas (APA, 2022; WHO, 2022). O que é a irritabilidade? A irritabilidade refere-se a um estado emocional caracterizado por raiva, frustração, impaciência e baixa tolerância ao stress. Pessoas em estados irritáveis tendem a reagir de forma desproporcional a pequenos contratempos e podem parecer constantemente tensas, reagindo de forma brusca ou explosiva (Stringaris, 2011; Brotman et al., 2017). Do ponto de vista clínico, a irritabilidade não é um diagnóstico isolado, mas um sintoma comum a vários transtornos, presente em vários quadros de saúde mental descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (APA, 2022) e na Cla...
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O caminho feito por dentro: onde começa o bem-estar

A palavra bem-estar é frequentemente usada no nosso dia a dia, mas nem sempre é fácil definir com precisão o que significa. Para uns, pode estar associada à saúde física; para outros, à tranquilidade mental ou ao equilíbrio emocional (e.g., Jarden & Roache, 2023). Em boa verdade, o bem-estar é um conceito amplo e holístico, que integra várias dimensões da vida e que tem sido estudado pela psicologia, pela medicina e pelas ciências sociais (e.g., Layard & De Neve. 2023). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2025), a saúde não é apenas a ausência de doença, mas sim um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Esta definição coloca o bem-estar no centro da nossa qualidade de vida, ultrapassando a ideia de que viver bem significa apenas não estar doente.   O que é o bem-estar? Na Psicologia, o bem-estar pode ser entendido de duas formas essenciais (e.g., Alatartseva & Barysheva, 2015; Western & Tomaszewski, 2016): ·   Bem-estar subjetivo – lig...

Autocrítica, a Voz (in)satisfeita

  Muitas pessoas acreditam que, ao serem muito exigentes e críticas consigo próprias, conseguem manter o foco, evitar erros ou alcançar melhores resultados. No entanto, quando a autocrítica se torna constante e demasiado rígida, deixa de funcionar como motivação e começa a gerar ansiedade e mal‑estar. Reconhecer este padrão é um passo importante para desenvolver uma relação mais equilibrada e compassiva consigo mesmo . O que é a autocrítica A autocrítica pode ser entendida como um padrão de avaliação interna marcado por julgamentos negativos, exigências elevadas e uma postura interna punitiva (ex., Wakelin, Perman, & Simonds, 2022; Zaccari, et al 2024). Envolve um diálogo interno hostil , no qual a pessoa julga negativamente as próprias ações, pensamentos, emoções e identidade, gerando sentimentos de inadequação e desvalorização pessoal (ex., “não sou suficiente”, “devia ter feito melhor”, “sou uma parva”, etc.,). Porque é que nos criticamos? A autocrítica é um padrão de c...

A importância que damos ao sono pode não ser a importância que o sono tem

O sono é uma necessidade biológica essencial para o funcionamento físico, cognitivo e emocional do ser humano. Dormir não é um luxo e muito menos uma perda de tempo: é um processo ativo, regulado por mecanismos neurobiológicos complexos, que permite ao organismo um funcionamento adequado para as suas funções.  Alterações persistentes no sono têm impacto direto na nossa saúde física e mental, no desempenho diário e na qualidade de vida, pelo que devemos acautelar um sono que cumpra critérios de tempo (número mínimo de horas) e de qualidade. É durante o sono que ocorrem processos fundamentais para o equilíbrio do organismo, como a consolidação da memória e consequente aprendizagem, regulação emocional, recuperação muscular, fortalecimento do sistema imunitário e regulação hormonal (e.g., Feeney et al., 2025). Por outro lado, a privação de sono ou a má qualidade do mesmo, pode, por exemplo, comprometer as nossas capacidades de concentração, promover maiores níveis de irritabilidade, a...

O Poder da Comunicação Assertiva

  Desde que acordamos até que nos deitamos, passamos todo o dia a comunicar de várias formas, sendo a comunicação inevitável ainda que com as respetivas limitações. Seremos nós conscientes do impacto que esta tem na nossa saúde mental e na do outro? A comunicação permite a transmissão e troca de conhecimentos, sentimentos e ideias, tendo como finalidade que os intervenientes possam chegar a um consenso sobre a temática partilhada, mas é a postura representada que determinará a eficácia da mesma (Gomes, 2023). Adotar uma postura hostil – comunicação agressiva , desrespeitando a opinião do outro, tendo pouca ou nenhuma empatia pelo próprio e julgando-o tendo a intenção de satisfazer unicamente as próprias necessidades, poderá gerar conflitos relacionais proferindo ao outro e a si próprio sentimentos de stress, baixa autoestima e isolamento social (Kumbi, 2024; Silva & Marinho, 2003; Barbosa, 1999). Já comunicar de forma reprimida – c omunicação passiva , remetendo-se ao si...