As perturbações do comportamento alimentar são condições de saúde complexas, que afetam mente e corpo. Dentro deste grupo, encontramos a Perturbação da Ingestão Alimentar Compulsiva (PIAC), que se caracteriza por episódios de ingestão alimentar em quantidades excessivas e inequivocamente superiores ao comum, num curto espaço de tempo e acompanhada de uma perceção de falta de controlo subjacente (American Psychiatric Association, 2022). Fatores biológicos, psicológicos e sociais estão na origem e manutenção da PIAC (Keshen et al., 2022) e manifestam-se na relação da pessoa com a comida, com o corpo e consigo própria. Segundo a American Psychiatric Association (2022), alguns fatores precedem de forma frequente os episódios de ingestão compulsiva. São exemplos a afetividade negativa (tendência para experienciar emoções desagradáveis como a tristeza ou o medo), stress ou eventos de vida difíceis, restrição alimentar e o tédio. A ingestão compulsiva pode, desta forma, assumir a função ...
A vergonha é uma emoção pouco falada, mas profundamente sentida. Ao contrário da culpa, que tende a centrar-se num comportamento ("fiz algo errado"), a vergonha dirige-se à forma como a pessoa vê a sua própria identidade ("há algo de errado comigo"). Surge quando nos autoavaliamos de forma negativa e acreditamos que existe algo de inadequado ou indesejado em quem somos, influenciando também a forma como pensamos que os outros nos percecionam (Gilbert, 2014; Tangney & Dearing, 2002). Todos nós experienciamos vergonha em algum momento da vida. Em níveis moderados, esta emoção tem uma função adaptativa: pode ajudar-nos a reconhecer quando ultrapassámos um limite, reparar um erro e preservar relações importantes. Por exemplo, depois de interromper repetidamente um amigo durante uma conversa, sentir vergonha pode motivar um pedido de desculpas e uma mudança de comportamento. No entanto, quando deixa de estar associada a situações específicas e passa a ser frequen...