A confiança constitui uma das bases fundamentais das relações interpessoais próximas. Não se resume à expectativa de que o outro não nos irá desiludir: envolve também a perceção de que essa pessoa é previsível, fiável e capaz de agir de forma consistente com os compromissos estabelecidos na relação (Rempel et al., 1985). Confiar implica, por isso, aceitar algum grau de vulnerabilidade, uma vez que não podemos controlar completamente as intenções ou os comportamentos futuros da outra pessoa. É precisamente esta vulnerabilidade que torna uma quebra de confiança psicologicamente relevante . Uma mentira significativa, uma infidelidade ou uma omissão deliberada podem colocar em causa não apenas o comportamento específico que ocorreu, mas também a representação que tínhamos da relação. Se aquilo que julgávamos saber sobre o outro se revelou incompleto ou incorreto, torna-se compreensível que surja uma questão: “Se não percebi isto antes, o que mais poderá estar a acontecer sem que eu saiba?”...
Há pessoas que têm dificuldade em ficar sem uma explicação. Se alguém demora a responder a uma mensagem, querem perceber porquê. Se uma relação termina, procuram reconstruir todos os acontecimentos, em busca de sinais ignorados ou de comportamentos que a outra pessoa (dis)simulou. Se surge um sintoma, pesquisam até encontrarem uma hipótese. Perante um comportamento inesperado, procuram rapidamente uma causa. E os exemplos poderiam continuam indefinidamente. À primeira vista, isto pode parecer apenas curiosidade. Mas, por vezes, há algo mais: uma dificuldade em tolerar a incerteza. Por muito que custe aceitar, a incerteza faz parte da vida. Não sabemos como vai correr uma entrevista, o que outra pessoa está a pensar ou quais serão as consequências de uma decisão. Ainda assim, nem todos lidamos com esse desconhecido da mesma forma. Algumas pessoas conseguem pensar: “Não tenho informação suficiente. Vou esperar para perceber” , enquanto outras sentem uma necessidade maior de encontr...