A vergonha é uma emoção pouco falada, mas profundamente sentida. Ao contrário da culpa, que tende a centrar-se num comportamento ("fiz algo errado"), a vergonha dirige-se à forma como a pessoa vê a sua própria identidade ("há algo de errado comigo"). Surge quando nos autoavaliamos de forma negativa e acreditamos que existe algo de inadequado ou indesejado em quem somos, influenciando também a forma como pensamos que os outros nos percecionam (Gilbert, 2014; Tangney & Dearing, 2002). Todos nós experienciamos vergonha em algum momento da vida. Em níveis moderados, esta emoção tem uma função adaptativa: pode ajudar-nos a reconhecer quando ultrapassámos um limite, reparar um erro e preservar relações importantes. Por exemplo, depois de interromper repetidamente um amigo durante uma conversa, sentir vergonha pode motivar um pedido de desculpas e uma mudança de comportamento. No entanto, quando deixa de estar associada a situações específicas e passa a ser frequen...
Você já dormiu a noite inteira e, mesmo assim, acordou exausta? Existe um tipo de cansaço que nenhuma noite de sono resolve. Não é apenas físico. É um cansaço silencioso, que instala-se aos poucos e faz com que muitas mulheres deixem de se reconhecer. Não porque envelheceram. Mas porque, em algum momento da vida, desapareceram de si mesmas. Quando a vida muda, nós também mudamos. Ao longo da vida, toda mulher atravessa fases que exigem adaptação. A maternidade, a menopausa, um divórcio, a saída dos filhos de casa, uma mudança de país, uma nova profissão, o luto ou qualquer outro recomeço podem transformar profundamente a forma como ela se percebe. Nessas fases, é comum ouvir frases como: "Não sei mais me vestir." "Olho para o guarda-roupa e nada parece combinar comigo." "Não gosto mais do que vejo no espelho." À primeira vista, essas parecem ser questões ligadas apenas às roupas ou à aparência. Porém, muitas vezes, elas escondem uma pergunta muito mais p...