É comum que, perante emoções difíceis, tentemos imediatamente compreender o que nos leva àquele estado – tendemos a procurar explicações, a analisar cenários, a antecipar consequências e a procurar soluções. Quando se está triste, pergunta-se porquê. Quando se está ansioso, tenta-se conter ou controlar as situações e as respostas do corpo. Quando se sente magoado, procura-se justificações para o comportamento dos outros. Vivemos numa cultura que valoriza a racionalidade, a produtividade e o autocontrolo. Ser "forte", "aguentar" ou "seguir em frente" é frequentemente visto como um sinal de maturidade. Talvez um dos mitos mais difíceis de desafiar seja a ideia de que “mostrar emoções nos torna frágeis”. Crescemos em contextos onde as emoções não eram necessariamente proibidas, mas também não eram plenamente acolhidas. Frases como "não chores", "não é motivo para estares assim", "tens de ser forte", “já passou” ou "há qu...
Quando se fala da dificuldade em identificar, nomear ou comunicar os sentimentos, podemos estar a falar de alexitimia. Apesar de não ser uma perturbação clínica, é considerado um traço de personalidade, que se refere à forma como as pessoas fazem o processamento emocional, e cuja presença está associada a várias perturbações clínicas (depressão, ansiedade, alimentares). Isto não significa que a alexitimia seja a causa destas perturbações, ou uma consequência garantida das mesmas. O que é? A alexitimia é um traço de personalidade (Luminet & Nielson, 2025), o que significa que é uma característica duradoura e que influencia a forma como pensamos, sentimos e agimos. Isto também significa que é um traço que toda a gente possui, mas em diferentes graus. Como outros traços de personalidade, a alexitimia distribui-se ao longo de um contínuo: algumas pessoas apresentam apenas algumas destas características, enquanto noutras estas dificuldades são mais ...