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Mensagens

O papel dos animais de estimação nos processos de luto

  Desejar que vida seja meramente construída por momentos de conforto e felicidade é uma utopia – um sonho irrealista. Regular as nossas emoções em momentos desafiantes, como um luto, e aprender a gerir mudanças que estão fora do nosso controlo não é fácil, mas é necessário para viver com saúde e bem-estar. O luto é um processo normativo e adaptativo face à perda significativa de algo ou alguém, que todos nós já experienciámos ou iremos experienciar em algum momento da nossa vida. Este evidencia-se como um momento marcante para a pessoa enlutada, e embora algumas perdas sejam mais significativas que outras considerando o vínculo estabelecido, estas tendem a ser desafiadoras a nível emocional, cognitivo e comportamental, sendo a tristeza, a desorientação, a vontade de se isolar do mundo e as alterações do apetite e do sono alguns dos indícios comuns experienciados (Franco, 2008). O processo do luto não é vivenciado da mesma forma por todas as pessoas. Nesse sentido, é importante...
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O peso da Gratidão

A Gratidão é frequentemente apresentada como um valor universal. Desde cedo aprendemos a dizer “obrigado” e a reconhecer aquilo que os outros fazem por nós. De facto, a Gratidão está associada a benefícios emocionais e interpessoais, a maiores níveis de satisfação com a vida e a uma maior capacidade regulação emocional (Emmons & McCullough, 2003; Jans-Beken, et. al, 2019). Enquanto emoção cognitiva complexa , é o resultado da atribuição de significados positivos que se dá a uma determinada experiência afetiva. Assim, a Gratidão pode favorecer o fortalecimento das relações interpessoais, promover comportamentos pró-sociais, resiliência e contribuir para o bem-estar psicológico (Algoe & Zhaoyang, 2016; Kerry et. al, 2023). Contudo, estes benefícios tendem a emergir quando a gratidão é vivida como escolha interna e não como imposição moral ou mecanismo de reparação constante. Quando a gratidão se confunde com obrigação , esta deixa de ser um reconhecimento genuíno e pode tran...

O Envelhecimento (mentalmente) saudável

  De acordo com a World Health Organization, 2026, em Portugal, 26% da população é composta por adultos mais velhos, com idade superior a 65 anos. Estima-se que esta percentagem da população continue a crescer. À medida que a ciência evolui, a esperança média de vida vai crescendo. Mas o envelhecimento populacional levanta novos desafios, e alguns deles, no âmbito da Saúde Mental. O envelhecimento é um processo que começa à nascença, marcado por alterações fisiológicas, físicas, psicológicas, sociais, ocupacionais, e que por vezes, pode causar preocupação. Uma vez que é comum ver o envelhecimento de um ponto de vista negativo, tendemos a esquecer os pontos positivos da idade, falhamos em reconhecer sinais de preocupação ou até os desconsideramos por achar que são normais. No entanto, como podemos ver no Global Burden of Disease, as perturbações mentais representam a 2ª causa de perda de saúde para os portugueses com 60 ou mais anos de idade (IHME, 2025). Isto significa qu...

Irritabilidade e ‘estados de alerta’ constantes: Como identificar, entender e agir

  A irritabilidade é uma experiência emocional comum, mas quando se torna persistente, intensa ou acompanhada por uma sensação constante de estar “em alerta”, pode ser um sinal de sofrimento psicológico ou de uma condição de saúde subjacente. Reconhecer estes sinais é essencial para promover o bem-estar e prevenir o agravamento dos sintomas (APA, 2022; WHO, 2022). O que é a irritabilidade? A irritabilidade refere-se a um estado emocional caracterizado por raiva, frustração, impaciência e baixa tolerância ao stress. Pessoas em estados irritáveis tendem a reagir de forma desproporcional a pequenos contratempos e podem parecer constantemente tensas, reagindo de forma brusca ou explosiva (Stringaris, 2011; Brotman et al., 2017). Do ponto de vista clínico, a irritabilidade não é um diagnóstico isolado, mas um sintoma comum a vários transtornos, presente em vários quadros de saúde mental descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (APA, 2022) e na Cla...