O ciúme é frequentemente confundido com uma prova de amor. “Se tem ciúmes, é porque gosta”; “quem ama, tem medo de perder”; “se não sente ciúmes, é porque não se importa”. Estas ideias fazem parte do modo como culturalmente aprendemos a interpretar as relações, mas podem tornar difícil distinguir entre uma emoção humana e legítima e comportamentos que procuram controlar, limitar ou vigiar outra pessoa. O ciúme não acontece apenas nas relações amorosas. Pode surgir em amizades, relações entre irmãos, relações familiares, contextos profissionais ou perante outras pessoas significativas. A própria American Psychological Association (APA, n.d.) define o ciúme como uma emoção que emerge quando alguém percebe (ou receia) que uma terceira pessoa possa ameaçar uma relação valorizada. Assim, embora as relações românticas sejam um contexto particularmente frequente, qualquer vínculo significativo pode despertar esta experiência. Sentir ciúme não significa, por si só, existir um problema ps...
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva da Personalidade (POCP) é uma das perturbações da personalidade mais comuns e, ao mesmo tempo, uma das menos faladas e mais mal-compreendidas. Parte desta incompreensão vem da confusão frequente com a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), com quem partilha o nome e algumas semelhanças de superfície, mas que é uma entidade clínica distinta. Outra parte prende-se com a própria natureza da POCP: os seus traços centrais (rigor, responsabilidade, produtividade) são social e profissionalmente valorizados, o que faz com que raramente sejam reconhecidos como um problema, quer pela própria pessoa, quer por quem a rodeia. O resultado é uma perturbação relativamente prevalente mas subdiagnosticada e pouco discutida fora dos contextos clínicos (Pinto et al., 2022). Este artigo procura esclarecer o que distingue a POCP, como se manifesta e que impacto tem na vida das pessoas, e que opções de tratamento existem atualmente. Diferença entre POCP ...