A Gratidão é frequentemente apresentada como um valor universal. Desde cedo aprendemos a dizer “obrigado” e a reconhecer aquilo que os outros fazem por nós. De facto, a Gratidão está associada a benefícios emocionais e interpessoais, a maiores níveis de satisfação com a vida e a uma maior capacidade regulação emocional (Emmons & McCullough, 2003; Jans-Beken, et. al, 2019). Enquanto emoção cognitiva complexa , é o resultado da atribuição de significados positivos que se dá a uma determinada experiência afetiva. Assim, a Gratidão pode favorecer o fortalecimento das relações interpessoais, promover comportamentos pró-sociais, resiliência e contribuir para o bem-estar psicológico (Algoe & Zhaoyang, 2016; Kerry et. al, 2023). Contudo, estes benefícios tendem a emergir quando a gratidão é vivida como escolha interna e não como imposição moral ou mecanismo de reparação constante. Quando a gratidão se confunde com obrigação , esta deixa de ser um reconhecimento genuíno e pode tran...
De acordo com a World Health Organization, 2026, em Portugal, 26% da população é composta por adultos mais velhos, com idade superior a 65 anos. Estima-se que esta percentagem da população continue a crescer. À medida que a ciência evolui, a esperança média de vida vai crescendo. Mas o envelhecimento populacional levanta novos desafios, e alguns deles, no âmbito da Saúde Mental. O envelhecimento é um processo que começa à nascença, marcado por alterações fisiológicas, físicas, psicológicas, sociais, ocupacionais, e que por vezes, pode causar preocupação. Uma vez que é comum ver o envelhecimento de um ponto de vista negativo, tendemos a esquecer os pontos positivos da idade, falhamos em reconhecer sinais de preocupação ou até os desconsideramos por achar que são normais. No entanto, como podemos ver no Global Burden of Disease, as perturbações mentais representam a 2ª causa de perda de saúde para os portugueses com 60 ou mais anos de idade (IHME, 2025). Isto significa qu...