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A mostrar mensagens com a etiqueta saúde mental

Erro da previsão afetiva: porque somos tão maus a prever como nos vamos sentir?

Todos fazemos previsões sobre o nosso futuro emocional. Imaginamos a felicidade que sentiremos quando comprarmos uma casa, iniciarmos uma relação ou atingirmos um determinado objetivo. Da mesma forma, antecipamos o sofrimento associado a uma separação, à perda de um familiar ou ao insucesso num projeto importante. Estas previsões influenciam diariamente as nossas decisões, desde as mais simples até às que têm maior impacto na nossa vida. No entanto, a investigação em Psicologia demonstra que somos, de forma sistemática, menos precisos do que imaginamos a prever as nossas futuras emoções. Este fenómeno é conhecido como erro da previsão afetiva ( affective forecasting ) (Wilson & Gilbert, 2003, 2005). O conceito de previsão afetiva refere-se à capacidade de antecipar como nos iremos sentir perante acontecimentos futuros. Embora esta capacidade seja essencial para a tomada de decisões, tendemos a cometer um erro consistente denominado viés do impacto ( impact bias ), isto é, sobrest...

O peso invisível da vergonha: do silêncio à compreensão

  A vergonha é uma emoção pouco falada, mas profundamente sentida. Ao contrário da culpa, que tende a centrar-se num comportamento ("fiz algo errado"), a vergonha dirige-se à forma como a pessoa vê a sua própria identidade ("há algo de errado comigo"). Surge quando nos autoavaliamos de forma negativa e acreditamos que existe algo de inadequado ou indesejado em quem somos, influenciando também a forma como pensamos que os outros nos percecionam (Gilbert, 2014; Tangney & Dearing, 2002). Todos nós experienciamos vergonha em algum momento da vida. Em níveis moderados, esta emoção tem uma função adaptativa: pode ajudar-nos a reconhecer quando ultrapassámos um limite, reparar um erro e preservar relações importantes. Por exemplo, depois de interromper repetidamente um amigo durante uma conversa, sentir vergonha pode motivar um pedido de desculpas e uma mudança de comportamento. No entanto, quando deixa de estar associada a situações específicas e passa a ser frequen...

Alexitimia: quando não conseguimos nomear o que sentimos

Quando se fala da dificuldade em identificar, nomear ou comunicar os sentimentos, podemos estar a falar de alexitimia. Apesar de não ser uma perturbação clínica, é considerado um traço de personalidade, que se refere à forma como as pessoas fazem o processamento emocional, e cuja presença está associada a várias perturbações clínicas (depressão, ansiedade, alimentares). Isto não significa que a alexitimia seja a causa destas perturbações, ou uma consequência garantida das mesmas. O que é? A alexitimia é um traço de personalidade (Luminet & Nielson, 2025), o que significa        que é uma característica duradoura e que influencia a forma como pensamos, sentimos e agimos. Isto também significa que é um traço que toda a gente possui, mas em diferentes graus. Como outros traços de personalidade, a alexitimia distribui-se ao longo de um contínuo: algumas pessoas apresentam apenas algumas destas características, enquanto noutras estas dificuldades são mais ...

A Importância da Relação Terapêutica na Mudança Psicológica

            Arrisco-me a dizer que a relação terapêutica é um dos elementos mais importantes da intervenção psicológica, independentemente da orientação teórica do psicólogo. Embora as técnicas, os modelos de avaliação e os protocolos de intervenção sejam relevantes, a investigação tem mostrado, de forma consistente, que a qualidade da relação estabelecida entre psicólogo e cliente influencia significativamente o processo e os resultados da psicoterapia. Esta relação não deve ser entendida apenas como um aspeto humano ou secundário na intervenção, mas como uma condição ativa que facilita a mudança psicológica. Um dos conceitos mais importantes para compreender esta temática é o de aliança terapêutica . Bordin (1979) definiu a aliança terapêutica como uma colaboração entre terapeuta e cliente assente em três dimensões: o acordo quanto aos objetivos da terapia, o acordo quanto às tarefas necessárias para alcançar esses objetivos e o vínculo emocional...

O Fenómeno do(a) Impostor(a)

  Se já deu por si a sentir que é uma fraude ou incompetente no que faz (independentemente de haver evidências objetivas do contrário), se experiencia sentimentos de dúvida persistentes em relação às suas capacidades, se tem dificuldades a atribuir a si mesmo(a) o resultado dos seus sucessos laborais, ou se vive com o medo de ser exposto(a) ou descoberto(a) a qualquer instante por um erro (muitas vezes mínimo), este texto é para si. Falo-lhe do Fenómeno do(a) Impostor(a) (mais comumente conhecido por “Síndrome do(a) Impostor(a)”) que, muito embora não seja uma perturbação mental nem configure um diagnóstico clínico, é uma experiência psicológica que envolve pensamentos, emoções e comportamentos que podem colocar em risco a sua saúde mental, a sua qualidade de vida e o seu desempenho laboral. O Fenómeno do(a) Impostor(a) foi introduzido na literatura (Clance & Imes, 1978) como uma experiência interna de “falsidade intelectual”: quase como se estivéssemos plenamente convencidos q...