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A mostrar mensagens com a etiqueta ansiedade

Erro da previsão afetiva: porque somos tão maus a prever como nos vamos sentir?

Todos fazemos previsões sobre o nosso futuro emocional. Imaginamos a felicidade que sentiremos quando comprarmos uma casa, iniciarmos uma relação ou atingirmos um determinado objetivo. Da mesma forma, antecipamos o sofrimento associado a uma separação, à perda de um familiar ou ao insucesso num projeto importante. Estas previsões influenciam diariamente as nossas decisões, desde as mais simples até às que têm maior impacto na nossa vida. No entanto, a investigação em Psicologia demonstra que somos, de forma sistemática, menos precisos do que imaginamos a prever as nossas futuras emoções. Este fenómeno é conhecido como erro da previsão afetiva ( affective forecasting ) (Wilson & Gilbert, 2003, 2005). O conceito de previsão afetiva refere-se à capacidade de antecipar como nos iremos sentir perante acontecimentos futuros. Embora esta capacidade seja essencial para a tomada de decisões, tendemos a cometer um erro consistente denominado viés do impacto ( impact bias ), isto é, sobrest...

Procrastinação: será apenas preguiça?

  Adiar tarefas importantes é um comportamento comum e frequentemente interpretado como simples falta de vontade ou preguiça. No entanto, a literatura tem demonstrado que a procrastinação é um fenómeno muito mais complexo, envolvendo dificuldades na regulação de diferentes estados emocionais. Compreender a procrastinação para além de explicações simplistas é fundamental para reduzir o estigma associado a este comportamento e promover estratégias mais eficazes de intervenção. O que é a procrastinação? De um modo geral, adiar tarefas ou decisões constitui um comportamento comum e que pode, em determinadas circunstâncias, ser adaptativo (Ferrari, 1991). Por exemplo, uma decisão pode ser adiada quando a pessoa opta por priorizar uma tarefa mais relevante em detrimento de outra menos urgente. No entanto, quando este adiamento se transforma num padrão recorrente, podemos estar perante o fenómeno de procrastinação. A procrastinação pode ser definida como a tendência para adiar voluntariam...

Autocrítica, a Voz (in)satisfeita

  Muitas pessoas acreditam que, ao serem muito exigentes e críticas consigo próprias, conseguem manter o foco, evitar erros ou alcançar melhores resultados. No entanto, quando a autocrítica se torna constante e demasiado rígida, deixa de funcionar como motivação e começa a gerar ansiedade e mal‑estar. Reconhecer este padrão é um passo importante para desenvolver uma relação mais equilibrada e compassiva consigo mesmo . O que é a autocrítica A autocrítica pode ser entendida como um padrão de avaliação interna marcado por julgamentos negativos, exigências elevadas e uma postura interna punitiva (ex., Wakelin, Perman, & Simonds, 2022; Zaccari, et al 2024). Envolve um diálogo interno hostil , no qual a pessoa julga negativamente as próprias ações, pensamentos, emoções e identidade, gerando sentimentos de inadequação e desvalorização pessoal (ex., “não sou suficiente”, “devia ter feito melhor”, “sou uma parva”, etc.,). Porque é que nos criticamos? A autocrítica é um padrão de c...

Mudar de hábitos para viver com menos ansiedade

A ansiedade é frequentemente categorizada como uma emoção negativa, face ao desconforto da sua sintomatologia, mas é importante esclarecer que nenhuma das nossas emoções é negativa, todas elas cumprem uma função específica permitindo-nos viver e desenvolver-nos de forma saudável e segura. Podemos então dizer que a ansiedade é uma emoção normativa do ser humano, que pode ser experienciada em diversas situações e nos mais variados contextos, tendo como finalidade preparar-nos para lidar com situações desafiantes. Taquicardia, tensão muscular, náuseas, falta de ar, tonturas, preocupações e medos, dificuldades de concentração, oscilação do humor, alterações do sono e pensamentos negativos, são apenas alguns dos sintomas físicos e mentais produzidos pela ansiedade. Quando esta sintomatologia, aumenta em intensidade e frequência, pode comprometer negativamente as atividades do quotidiano, causando sofrimento emocional e/ou físico. Nestes casos, a procura de ajuda de um profissional de saúde,...

Respiração diafragmática: O que é, benefícios e como fazer

  A respiração, apesar de ser um processo natural e automático, é frequentemente realizada de forma superficial, utilizando apenas a parte superior do peito. Esta respiração superficial (envolve sobretudo a ativação do sistema nervoso simpático - sistema responsável pela resposta de luta ou fuga) torna-nos mais vulneráveis a situações de stress e ansiedade. Nas situações de elevado stress ou ansiedade, é comum surgirem alterações no padrão respiratório, podendo inclusivamente ocorrer a sensação de perda de controlo da respiração. A respiração diafragmática, também conhecida como respiração abdominal, é uma técnica simples e eficaz que pode ajudar a aliviar os sintomas de stress e ansiedade, promovendo uma respiração mais profunda e regulada. O que é a respiração diafragmática? O diafragma é um músculo que se situa abaixo dos pulmões e que desempenha um papel fundamental no processo respiratório. Durante a inspiração, o diafragma contrai-se e move-se para baixo, criando mais espaço ...

Perturbação de Ansiedade Generalizada: sintomas, fatores de risco e formas de tratamento

  A ansiedade  e a preocupação  fazem parte do nosso dia a dia, mas, geralmente, desaparecem após o evento stressor . Contudo, se sente que não consegue controlar as suas preocupações e se está a experienciar a ansiedade de forma persistente, mesmo quando não há nenhuma razão aparente, estes sintomas podem ser sinais da Perturbação de Ansiedade Generalizada . Esta perturbação pode afetar todas as faixas etárias, incluindo crianças, e pode ser extremamente debilitante, podendo mesmo, interferir com todos os aspetos da sua vida. O que é a Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG)? Como o próprio nome indica, a PAG é uma perturbação de ansiedade e é caracterizada pela ansiedade e preocupação, persistentes e excessivas sobre múltiplos aspetos da vida da pessoa. Nos adultos, essa preocupação excessiva inclui questões como a saúde, o dinheiro, o trabalho, a família, entre outros. Já nas crianças com PAG, essa preocupação excessiva tende a centrar sobretudo nas suas capac...

Pensamentos obsessivos ou teimosia?

  Os pensamentos obsessivos e a teimosia são fenómenos psicológicos distintos, mas partilham algumas semelhanças. Deixo-lhe as principais diferenças entre os dois. Natureza e Origem Teimosia: É um traço de personalidade caracterizado por uma forte determinação em manter opiniões, crenças ou decisões. Muitas vezes, surge do desejo de afirmar independência, manter controlo ou resistir à influência externa. Pensamentos Obsessivos: É um sintoma de várias condições de saúde mental, como a perturbação obsessivo-compulsivo (POC). Os pensamentos obsessivos são intrusivos, indesejados e repetitivos, causando angústia à pessoa que os experimenta. Surgem tendo a ansiedade por base e podem ser completamente irracionais ou irreais. Vontade e Controlo Teimosia: Geralmente, os indivíduos teimosos estão cientes da sua posição/ opinião e escolhem mantê-la apesar da pressão externa. É uma decisão consciente de resistir à mudança. Pensamentos Obsessivos: Pessoas com pensamentos obsessivos sentem-se ...

Será medo, ansiedade ou perturbação de ansiedade?

  Ambas as emoções, o medo e a ansiedade, têm a função de alertar-nos para o perigo e desencadeiam alterações fisiológicas similares (e.g., aumento de batimento cardíaco, da respiração, tensão muscular, etc.,). Contudo, apesar dessas similaridades, existem diferenças significativas entre as duas emoções. A resposta emocional do medo é desencadeada face a uma situação de perigo iminente real ou percebida. Por exemplo, se alguém apontar-lhe uma arma e disser que se trata de um assalto ou se for tocado por alguém de forma inesperada ou cheirar-lhe a queimado, nestes casos, reage com medo perante um perigo iminente real ou percebido. Por outro lado, a resposta emocional de ansiedade é desencadeada face a antecipação de um perigo futuro. Por exemplo, se se encontrar numa rua pouco iluminada durante a noite, e começar a preocupar-se com a possibilidade de ser atacado/a ou assaltado/a, as alterações fisiológicas que pode experienciar como o aumento de batimento cardíaco, da respiração ...

O que fazer com o medo das nossas crianças?

Medo. Uma simples palavra que pode levar-nos no imediato a pensar em inúmeras coisas, muito possivelmente com graus diferentes de desconforto. Apesar de ter uma fama pouco simpática, o medo é, na verdade, uma das nossas emoções básicas e cumpre um papel fundamental nas nossas vidas. O medo ajuda-nos a protegermo-nos dos mais variados cenários e perigos (reais ou imaginários), porque atua ao desencadear no nosso organismo respostas cognitivas, psicofisiológicas e motoras de prevenção (quando hipotetizamos os mais variados cenários), e de alerta, que nos fazem evitar determinadas situações potencialmente perigosas. Olhou para os dois lados antes de atravessar a estrada? Agradeça ao seu medo de ser atropelado por tê-lo protegido desse cenário pouco conveniente! Tal como nós adultos temos a nossa bagagem de medos (uns mais conscientes que outros), também as crianças interagem com esta emoção e, regra geral, não fogem das reações fisiológicas que a resposta de medo pode desencadear no nosso...

Distorções cognitivas: o que são e como é que podem agravar a sua resposta de stress e de ansiedade

  S erá que desconfiar dos seus pensamentos, significa duvidar de si? Claro que não! Os pensamentos que tem sobre si, sobre os outros e sobre o mundo, não refletem a realidade, mas sim, a perceção que tem dela - e como sabe, a sua perceção é influenciada por diversos fatores, nomeadamente a genética, o ambiente familiar, a cultura, entre outros . O que são distorções cognitivas As distorções cognitivas são determinados tipos de pensamentos que induzem as pessoas a interpretarem a realidade de forma mais negativa do que ela realmente é. Geralmente, estes tipos de pensamentos ocorrem particularmente nos momentos de elevado stress, mas como são muito subtis, torna-se difícil reconhecê-los. Fique a conhecer as distorções cognitivas mais comuns e exemplos de situações onde pode usá-las. Pensamento tudo ou nada/preto ou branco Este tipo de distorção cognitiva ocorre quando a pessoa se foca nos extremos, sem considerar os pontos intermédios, isto é, não há meio-termo. Por exemplo, s...

A ameaça através do medo: como lidar com os efeitos da guerra

O medo é uma das emoções universais e surge perante a ameaça de dano, seja físico, emocional ou psicológico, real ou imaginário. Embora tradicionalmente seja considerado uma emoção “negativa”, o medo desempenha, na verdade, um papel importante na nossa segurança, preparando-nos para lidar com o perigo potencial.  Existem vários níveis de medo, sendo eles distinguidos em termos de intensidade, de tempo, e de estratégias de enfrentamento. Todavia, em todos os níveis de medo, devemos concentrar-nos em perceber quais as ações, se as houver, que podem ser tomadas para reduzir ou eliminar a ameaça. Quando somos capazes de lidar com a ameaça, isso diminui ou elimina a experiência de medo. Alternativamente, quando nos sentimos impotentes para lidar com a ameaça, isso intensifica o medo. Apesar de existirem vários gatilhos de medo (e.g., escuridão, alturas, rejeição, animais perigosos, morte), irei focar-me, para o propósito deste artigo, no medo da guerra, atendendo à realidade que estamos...