Arrisco-me a dizer que a relação terapêutica é um dos elementos mais importantes da intervenção psicológica, independentemente da orientação teórica do psicólogo. Embora as técnicas, os modelos de avaliação e os protocolos de intervenção sejam relevantes, a investigação tem mostrado, de forma consistente, que a qualidade da relação estabelecida entre psicólogo e cliente influencia significativamente o processo e os resultados da psicoterapia. Esta relação não deve ser entendida apenas como um aspeto humano ou secundário na intervenção, mas como uma condição ativa que facilita a mudança psicológica. Um dos conceitos mais importantes para compreender esta temática é o de aliança terapêutica . Bordin (1979) definiu a aliança terapêutica como uma colaboração entre terapeuta e cliente assente em três dimensões: o acordo quanto aos objetivos da terapia, o acordo quanto às tarefas necessárias para alcançar esses objetivos e o vínculo emocional...
Já alguma vez sentiu que o mundo à sua volta parecia irreal ou sentiu-se desligado dos seus pensamentos, emoções e sensações corporais? Estas experiências fazem parte do fenómeno da dissociação e podem ser profundamente perturbadoras, sobretudo quando despertam a sensação de perda de controlo. Quando estas se tornam frequentes podem comprometer o funcionamento diário, como tal, compreender estes fenómenos é essencial para reconhecer o que está a acontecer e procurar a intervenção adequada. Dissociação: o que é? A dissociação é definida como uma interrupção ou desconexão entre pensamentos, emoções, sensações e outros processos mentais que normalmente funcionam de forma integrada (American Psychiatric Association [APA], 2022; Boyer, Caplan, & Edwards, 2022). Trata-se de um fenómeno humano comum, isto é, todos experienciámos algum grau de dissociação, que pode surgir ao longo de um contínuo que vai de manifestações benignas a estados mais perturbadores (Boyer...