Há pessoas que têm dificuldade em ficar sem uma explicação. Se alguém demora a responder a uma mensagem, querem perceber porquê. Se uma relação termina, procuram reconstruir todos os acontecimentos, em busca de sinais ignorados ou de comportamentos que a outra pessoa (dis)simulou. Se surge um sintoma, pesquisam até encontrarem uma hipótese. Perante um comportamento inesperado, procuram rapidamente uma causa. E os exemplos poderiam continuam indefinidamente. À primeira vista, isto pode parecer apenas curiosidade. Mas, por vezes, há algo mais: uma dificuldade em tolerar a incerteza. Por muito que custe aceitar, a incerteza faz parte da vida. Não sabemos como vai correr uma entrevista, o que outra pessoa está a pensar ou quais serão as consequências de uma decisão. Ainda assim, nem todos lidamos com esse desconhecido da mesma forma. Algumas pessoas conseguem pensar: “Não tenho informação suficiente. Vou esperar para perceber” , enquanto outras sentem uma necessidade maior de encontr...
Todos fazemos previsões sobre o nosso futuro emocional. Imaginamos a felicidade que sentiremos quando comprarmos uma casa, iniciarmos uma relação ou atingirmos um determinado objetivo. Da mesma forma, antecipamos o sofrimento associado a uma separação, à perda de um familiar ou ao insucesso num projeto importante. Estas previsões influenciam diariamente as nossas decisões, desde as mais simples até às que têm maior impacto na nossa vida. No entanto, a investigação em Psicologia demonstra que somos, de forma sistemática, menos precisos do que imaginamos a prever as nossas futuras emoções. Este fenómeno é conhecido como erro da previsão afetiva ( affective forecasting ) (Wilson & Gilbert, 2003, 2005). O conceito de previsão afetiva refere-se à capacidade de antecipar como nos iremos sentir perante acontecimentos futuros. Embora esta capacidade seja essencial para a tomada de decisões, tendemos a cometer um erro consistente denominado viés do impacto ( impact bias ), isto é, sobrest...