Reduzir a Perturbação Depressiva Major (PDM) a uma questão de “pensar positivo” ou “ter força de vontade” denota uma incompreensão profunda sobre a real dimensão do problema. A depressão é, ainda hoje, frequentemente confundida com uma tristeza reativa ou com fraqueza pessoal, um equívoco que alimenta o estigma, gera culpa desnecessária e atrasa o recurso a ajuda especializada. A prática clínica e a evidência científica demonstram que a depressão é uma condição de saúde complexa e com várias causas. Envolve componentes biológicos, psicológicos e contextuais (Marx et al., 2023), alterando de forma substancial e estrutural a forma como a pessoa pensa e interpreta o mundo, regula as emoções e funciona no seu quotidiano. A fronteira entre tristeza normativa, luto e depressão major A tristeza, o desânimo e o luto são respostas naturais e inerentes à experiência humana. No processo de luto, o sofrimento manifesta-se predominantemente em oscilações (em “ondas” de dor associadas à perda). A au...
O riso é frequentemente associado à alegria, ao divertimento e a momentos agradáveis. Por isso, quando alguém ri enquanto relata uma experiência traumática (como uma situação de violência, abuso, perda ou humilhação), essa reação pode parecer contraditória ou até gerar incompreensão por parte de quem escuta. No entanto, rir ao falar de uma experiência dolorosa não significa necessariamente que a pessoa ache graça ao que aconteceu, que esteja a desvalorizar a experiência ou que não tenha sido afetada emocionalmente. O riso é um comportamento complexo, que nem sempre corresponde de forma direta àquilo que estamos a sentir. Pode surgir em situações de tensão, ansiedade, desconforto ou ameaça, funcionando como uma resposta involuntária perante uma experiência emocionalmente exigente. A investigação sobre o riso reconhece que este pode ocorrer em contextos de ativação emocional e tensão, mesmo quando não existe propriamente divertimento (American Psychological Association [APA], 2018)...