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Mensagens

Perturbação Obsessivo-Compulsiva da Personalidade: Sinais, Impacto e Tratamento

     A Perturbação Obsessivo-Compulsiva da Personalidade (POCP) é uma das perturbações da personalidade mais comuns e, ao mesmo tempo, uma das menos faladas e mais mal-compreendidas. Parte desta incompreensão vem da confusão frequente com a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), com quem partilha o nome e algumas semelhanças de superfície, mas que é uma entidade clínica distinta. Outra parte prende-se com a própria natureza da POCP: os seus traços centrais (rigor, responsabilidade, produtividade) são social e profissionalmente valorizados, o que faz com que raramente sejam reconhecidos como um problema, quer pela própria pessoa, quer por quem a rodeia. O resultado é uma perturbação relativamente prevalente mas subdiagnosticada e pouco discutida fora dos contextos clínicos (Pinto et al., 2022). Este artigo procura esclarecer o que distingue a POCP, como se manifesta e que impacto tem na vida das pessoas, e que opções de tratamento existem atualmente. Diferença entre POCP ...
Mensagens recentes

Quando a confiança é quebrada: porque começamos a procurar sinais de fiabilidade?

A confiança constitui uma das bases fundamentais das relações interpessoais próximas. Não se resume à expectativa de que o outro não nos irá desiludir: envolve também a perceção de que essa pessoa é previsível, fiável e capaz de agir de forma consistente com os compromissos estabelecidos na relação (Rempel et al., 1985). Confiar implica, por isso, aceitar algum grau de vulnerabilidade, uma vez que não podemos controlar completamente as intenções ou os comportamentos futuros da outra pessoa. É precisamente esta vulnerabilidade que torna uma quebra de confiança psicologicamente relevante . Uma mentira significativa, uma infidelidade ou uma omissão deliberada podem colocar em causa não apenas o comportamento específico que ocorreu, mas também a representação que tínhamos da relação. Se aquilo que julgávamos saber sobre o outro se revelou incompleto ou incorreto, torna-se compreensível que surja uma questão: “Se não percebi isto antes, o que mais poderá estar a acontecer sem que eu saiba?”...

Porque precisamos de uma explicação para tudo? A nossa dificuldade em tolerar a incerteza

Há pessoas que têm dificuldade em ficar sem uma explicação. Se alguém demora a responder a uma mensagem, querem perceber porquê. Se uma relação termina, procuram reconstruir todos os acontecimentos, em busca de sinais ignorados ou de comportamentos que a outra pessoa (dis)simulou. Se surge um sintoma, pesquisam até encontrarem uma hipótese. Perante um comportamento inesperado, procuram rapidamente uma causa. E os exemplos poderiam continuam indefinidamente. À primeira vista, isto pode parecer apenas curiosidade. Mas, por vezes, há algo mais: uma dificuldade em tolerar a incerteza. Por muito que custe aceitar, a incerteza faz parte da vida. Não sabemos como vai correr uma entrevista, o que outra pessoa está a pensar ou quais serão as consequências de uma decisão. Ainda assim, nem todos lidamos com esse desconhecido da mesma forma. Algumas pessoas conseguem pensar: “Não tenho informação suficiente. Vou esperar para perceber” , enquanto outras sentem uma necessidade maior de encontr...

Erro da previsão afetiva: porque somos tão maus a prever como nos vamos sentir?

Todos fazemos previsões sobre o nosso futuro emocional. Imaginamos a felicidade que sentiremos quando comprarmos uma casa, iniciarmos uma relação ou atingirmos um determinado objetivo. Da mesma forma, antecipamos o sofrimento associado a uma separação, à perda de um familiar ou ao insucesso num projeto importante. Estas previsões influenciam diariamente as nossas decisões, desde as mais simples até às que têm maior impacto na nossa vida. No entanto, a investigação em Psicologia demonstra que somos, de forma sistemática, menos precisos do que imaginamos a prever as nossas futuras emoções. Este fenómeno é conhecido como erro da previsão afetiva ( affective forecasting ) (Wilson & Gilbert, 2003, 2005). O conceito de previsão afetiva refere-se à capacidade de antecipar como nos iremos sentir perante acontecimentos futuros. Embora esta capacidade seja essencial para a tomada de decisões, tendemos a cometer um erro consistente denominado viés do impacto ( impact bias ), isto é, sobrest...

O efeito holofote: Porque é que sentimos vergonha por coisas que ninguém repara?

  Já te aconteceu sair de uma reunião e passares horas a pensar numa palavra que pronunciaste mal? Ou tropeçar na rua e ficares convencido/a de que toda a gente reparou? Talvez já te tenha acontecido teres enviado uma mensagem com um erro ortográfico e teres sentido um desconforto desproporcional, como se esse pequeno deslize definisse a imagem que os outros têm de ti.  A verdade é que, na maioria das vezes, as pessoas mal se aperceberam do que aconteceu. E, quando repararam, provavelmente esqueceram-no poucos minutos depois. Então, porque sentimos tanta vergonha por situações que passam despercebidas aos outros? A resposta encontra-se na forma como o cérebro processa a informação social e na tendência para sobrestimarmos a atenção que os outros nos dedicam, e a este fenómeno os investigadores chamam de "efeito holofote” ( spotlight effect ). Sendo um dos mais estudados na Psicologia Social, o efeito holofote descreve a tendência para acreditarmos que os outros observam e ava...

Ataques de Pânico: o que são?

  Ataques de Pânico: o que são? Os ataques de pânico são episódios súbitos de medo intenso que podem surgir de forma inesperada e provocar sintomas físicos e psicológicos muito marcados. Estes episódios são frequentemente vividos como profundamente assustadores e podem afetar o bem-estar, o funcionamento diário e a qualidade de vida da pessoa. Compreender melhor o que são os ataques de pânico, como se manifestam, quais os fatores de risco envolvidos e que tratamentos se revelam eficazes pode ajudá-lo a lidar com estes episódios. De acordo com o DSM-5-TR , um ataque de pânico é um episódio abrupto de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em minutos e é acompanhado por vários sintomas físicos e cognitivos (American Psychiatric Association, 2022). Os ataques de pânico podem ocorrer de forma inesperada , sem qualquer gatilho específico , ou de forma esperada /contextual , quando surgem em resposta a situações temidas, por exemplo, fobias. Sintomas de um ataque de pânico Este ...