
A palavra bem-estar é frequentemente usada no nosso dia a dia, mas nem sempre é fácil definir com precisão o que significa. Para uns, pode estar associada à saúde física; para outros, à tranquilidade mental ou ao equilíbrio emocional (e.g., Jarden & Roache, 2023). Em boa verdade, o bem-estar é um conceito amplo e holístico, que integra várias dimensões da vida e que tem sido estudado pela psicologia, pela medicina e pelas ciências sociais (e.g., Layard & De Neve. 2023).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2025), a saúde não é apenas a ausência de doença, mas sim um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Esta definição coloca o bem-estar no centro da nossa qualidade de vida, ultrapassando a ideia de que viver bem significa apenas não estar doente.
O que é o bem-estar?
Na
Psicologia, o bem-estar pode ser entendido de duas formas essenciais (e.g., Alatartseva
& Barysheva, 2015; Western & Tomaszewski, 2016):
· Bem-estar
subjetivo – ligado à forma como cada pessoa avalia a sua vida,
incluindo sentimentos de prazer, felicidade e satisfação.
· Bem-estar
psicológico – mais relacionado com o desenvolvimento
pessoal, o sentido de propósito, as relações positivas e a capacidade de lidar
com desafios.
Ou
seja, sentir bem-estar não significa estar sempre feliz, mas sim experimentar
uma sensação geral de equilíbrio e realização, mesmo perante dificuldades
inevitáveis.
Para que serve o bem-estar?
O
bem-estar não é uma regalia, mas sim um fator essencial para a saúde global.
Estudos científicos demonstram que pessoas que investem no seu bem-estar tendem
a:
·
Ter maior esperança de vida;
·
Apresentar menor risco de doenças
cardiovasculares e depressão;
·
Mostrar maior resiliência perante o stress;
·
Manter relações sociais mais saudáveis;
·
Ter mais motivação e produtividade no
trabalho ou nos estudos.
Além
disso, o bem-estar influencia diretamente a forma como nos relacionamos com os
outros. Quando cuidamos do nosso equilíbrio interno, conseguimos comunicar
melhor, ser mais empáticos e participar de forma mais positiva na comunidade.
Como podemos aumentar o nosso bem-estar?
Não
existe uma fórmula única para alcançarmos o bem-estar, mas a investigação em
psicologia positiva (e.g., García-Campayo, et al., 2024; White, 2008, 2010) tem
identificado várias práticas que podem contribuir significativamente, tais como:
- Cultivar relações de qualidade. As
conexões sociais são um dos pilares mais fortes do bem-estar. Ter relações
de confiança e apoio ajuda a reduzir a solidão, aumenta a sensação de
pertença e funciona como fator de proteção emocional.
- Praticar atividade física. O
exercício regular está associado não só à saúde física, mas também a uma
melhor regulação emocional e a níveis mais baixos de ansiedade e
depressão. Não é necessário praticar desporto de alta intensidade:
caminhadas diárias já fazem diferença.
- Alimentação equilibrada e sono
reparador. O corpo e a mente estão profundamente
interligados. Uma alimentação nutritiva e um sono de qualidade são
fundamentais para manter energia, concentração e humor estável.
- Mindfulness
e gestão do stress. Técnicas como a meditação, a
respiração consciente ou simplesmente momentos de pausa durante o dia
ajudam a reduzir o impacto do stress e a aumentar a clareza mental.
- Praticar a gratidão. Diversos
estudos mostram que registar regularmente coisas pelas quais estamos
gratos melhora o humor, reduz sintomas depressivos e aumenta a satisfação
com a vida.
- Desenvolver propósito e objetivos. Ter
metas que façam sentido pessoalmente, mesmo que pequenas, ajuda a dar
direção à vida e fortalece a sensação de realização.
- Autocompaixão. Tratar-se
com a mesma compreensão que ofereceríamos a um amigo em dificuldade é uma
das estratégias mais eficazes para promover resiliência e bem-estar
duradouro.
Em
suma, o bem-estar não é um destino final, mas sim um processo contínuo de
equilíbrio entre corpo, mente e relações sociais. Implica escolhas diárias,
pequenas práticas e, sobretudo, uma atitude consciente de cuidado consigo
próprio. Ao investir no bem-estar, não só melhoramos a nossa saúde física e
mental, como também ampliamos a nossa capacidade de viver de forma mais plena e
significativa.
Se
estes temas lhe interessam, talvez os livros “Segura as Pontas” e “Autocuidado:
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simples e que podem transformar-se em hábitos profícuos.
Dra. Laura Alho
Referências
Alatartseva, E., & Barysheva, G. (2015).
Well-being: subjective and objective aspects. Procedia-Social
and Behavioral Sciences, 166, 36-42.
Bester, J. C. (2020). Beneficence, interests, and
wellbeing in medicine: what it means to provide benefit to patients. The
American Journal of Bioethics, 20(3),
53-62.
Fattore, G., & Agostoni, C. (2016). Health,
wellbeing and social sciences. Critical reviews in food
science and nutrition, 56(12), 1960-1963.
García-Campayo,
J., Barcelo-Soler, A., Martínez-Rubio, D., Navarrete, J., Pérez-Aranda, A.,
Feliu-Soler, A., ... &
Montero-Marin, J. (2024). Exploring the relationship between self-compassion
and compassion for others: The role of psychological distress and
wellbeing. Assessment, 31(5),
1038-1051.
Jarden, A., & Roache, A. (2023). What is
wellbeing? International journal of environmental research and public
health, 20(6), 5006.
Layard, R., & De Neve, J. E. (2023). Wellbeing.
Cambridge University Press.
Western, M., & Tomaszewski, W. (2016). Subjective
wellbeing, objective wellbeing and inequality in Australia. PloS
one, 11(10),
e0163345.
WHO (2025). Health and Wellbeing. Acedido
a partir de: https://www.who.int/data/gho/data/major-themes/health-and-well-being
White, S. C. (2008). But what is wellbeing? A
framework for analysis in social and development policy and practice. Acedido a partir de: https://people.bath.ac.uk/ecsscw/But_what_is_Wellbeing.pdf
White, S. C. (2010). Analysing wellbeing: A framework
for development practice. Development in practice, 20(2),
158-172.
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