Desde que acordamos até que nos deitamos, passamos todo o dia a comunicar de várias formas, sendo a comunicação inevitável ainda que com as respetivas limitações. Seremos nós conscientes do impacto que esta tem na nossa saúde mental e na do outro?
A comunicação permite a transmissão e troca de conhecimentos, sentimentos e ideias, tendo como finalidade que os intervenientes possam chegar a um consenso sobre a temática partilhada, mas é a postura representada que determinará a eficácia da mesma (Gomes, 2023).
Adotar uma postura hostil – comunicação agressiva, desrespeitando a opinião do outro, tendo pouca ou nenhuma empatia pelo próprio e julgando-o tendo a intenção de satisfazer unicamente as próprias necessidades, poderá gerar conflitos relacionais proferindo ao outro e a si próprio sentimentos de stress, baixa autoestima e isolamento social (Kumbi, 2024; Silva & Marinho, 2003; Barbosa, 1999). Já comunicar de forma reprimida – comunicação passiva, remetendo-se ao silêncio por medo ao conflito, despoletará possível sentimento de frustração e pensamentos ruminativos negativos – repetição de pensamentos focados em problemas, erros e preocupações, mantendo desta forma a problemática inicial ativa (Costa, 2024; Kumbi, 2024).
Manifestar raiva subtilmente, ser ambígua nas intenções, tentar sabotar os resultados e mesmo assim evitar o conflito, faz com que esteja perante uma postura de comunicação passiva-agressiva, uma junção das formas de comunicação anteriormente nomeadas, que igualmente poderá vir a ser causadora de dissabores relacionais e dificultará a resolução de conflitos (Kumbi, 2024). Para estabelecer e solidificar relacionamentos interpessoais e viver com qualidade de vida e bem-estar, é crucial adotar uma postura de comunicação assertiva com o outro, na qual o emissor e recetor protegem a respetiva saúde mental ao expressarem as suas necessidades, opiniões e sentimentos de uma forma direta, clara e respeitadora, facilitando a resolução de possíveis conflitos, reduzindo o stress, a ansiedade e a frustração, e de igual forma impulsionar a autoestima e empowerment – empoderamento ou fortalecimento (Costa, 2024; Kumbi, 2024; Pereira et al., 2018; Silva & Marinho, 2003; Barbosa, 1999).
Como desenvolver uma Comunicação Assertiva?
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Seja empático(a) e desenvolva o seu autoconhecimento – conhecer e respeitar seus limites, necessidades e dificuldades assim como às dos outros;
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Utilize a escuta ativa – escute atentamente o que o outro tem para lhe dizer focando no conteúdo e não na pessoa, não interrompa e faça perguntas que possam ser esclarecedoras;
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Foque na solução e não nas adversidades/problemas;
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Seja claro(a) e objetivo(a) na mensagem que deseja transmitir, não ande com rodeios;
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Tenha em atenção a sua linguagem não-verbal, ela também está a transmitir informações.
A comunicação assertiva é uma competência socioemocional crucial para o desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis, gestão de conflitos e mantimento de uma saúde mental robusta, como tal, se necessário procure ajuda psicológica para o desenvolvimento de tais competências, não descure o seu bem-estar.
Dra. Beatriz Santos
Referências Bibliográficas
Barbosa, J. I. C. (1999). Sinto-me estressado por não saber dizer não. O Stress está dentro de você, 99-111 https://shre.ink/5quw
Costa, L. K. C. (2024). Comunicação Assertiva e Habilidades Sociais: A Chave para Relacionamentos Interpessoais Eficazes. Congresso Nacional de Estudantes e Profissionais de Administração (11), 1-12 https://shre.ink/5qCO
Gomes, A. R. (2023). Comunicação, conflitos e negociação: uma perspetiva teórica e implicações práticas. Revista Pesquisa em Psicologia Aplicada, 1(1), 1-24. https://hdl.handle.net/1822/85946
Kumbi, R. M. (2024). O Impacto da Comunicação Negativa nas relações interpessoais do clima organizacional. Anais New Science Publishers, 1(1), 1-13 https://doi.org/10.56238/I-CIM-057
Pereira, I., Seabra, P., Valentim, O., & Nogueira, M. J. (2018). Treino de Assertividade na Enfermagem de Saúde Mental. IX Congresso Internacional ASPESM, Instituto Politécnico de Bragança https://shre.ink/5Dws
Silva, A. I., & Marinho, G. I. (2003). Auto-estima e relações afetivas. Universitas: Ciências da Saúde, 1(2), 229-237 https://doi.org/10.5102/ucs.v1i2.507
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