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Ciúme: o controlo que se disfarça de amor

  O ciúme é frequentemente confundido com uma prova de amor. “Se tem ciúmes, é porque gosta”; “quem ama, tem medo de perder”; “se não sente ciúmes, é porque não se importa”. Estas ideias fazem parte do modo como culturalmente aprendemos a interpretar as relações, mas podem tornar difícil distinguir entre uma emoção humana e legítima e comportamentos que procuram controlar, limitar ou vigiar outra pessoa. O ciúme não acontece apenas nas relações amorosas. Pode surgir em amizades, relações entre irmãos, relações familiares, contextos profissionais ou perante outras pessoas significativas. A própria American Psychological Association (APA, n.d.) define o ciúme como uma emoção que emerge quando alguém percebe (ou receia) que uma terceira pessoa possa ameaçar uma relação valorizada. Assim, embora as relações românticas sejam um contexto particularmente frequente, qualquer vínculo significativo pode despertar esta experiência. Sentir ciúme não significa, por si só, existir um problema ps...

Quando a confiança é quebrada: porque começamos a procurar sinais de fiabilidade?

A confiança constitui uma das bases fundamentais das relações interpessoais próximas. Não se resume à expectativa de que o outro não nos irá desiludir: envolve também a perceção de que essa pessoa é previsível, fiável e capaz de agir de forma consistente com os compromissos estabelecidos na relação (Rempel et al., 1985). Confiar implica, por isso, aceitar algum grau de vulnerabilidade, uma vez que não podemos controlar completamente as intenções ou os comportamentos futuros da outra pessoa. É precisamente esta vulnerabilidade que torna uma quebra de confiança psicologicamente relevante . Uma mentira significativa, uma infidelidade ou uma omissão deliberada podem colocar em causa não apenas o comportamento específico que ocorreu, mas também a representação que tínhamos da relação. Se aquilo que julgávamos saber sobre o outro se revelou incompleto ou incorreto, torna-se compreensível que surja uma questão: “Se não percebi isto antes, o que mais poderá estar a acontecer sem que eu saiba?”...