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Ataques de Pânico: o que são?

 


Ataques de Pânico: o que são?

Os ataques de pânico são episódios súbitos de medo intenso que podem surgir de forma inesperada e provocar sintomas físicos e psicológicos muito marcados. Estes episódios são frequentemente vividos como profundamente assustadores e podem afetar o bem-estar, o funcionamento diário e a qualidade de vida da pessoa. Compreender melhor o que são os ataques de pânico, como se manifestam, quais os fatores de risco envolvidos e que tratamentos se revelam eficazes pode ajudá-lo a lidar com estes episódios.

De acordo com o DSM-5-TR, um ataque de pânico é um episódio abrupto de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em minutos e é acompanhado por vários sintomas físicos e cognitivos (American Psychiatric Association, 2022). Os ataques de pânico podem ocorrer de forma inesperada, sem qualquer gatilho específico, ou de forma esperada/contextual, quando surgem em resposta a situações temidas, por exemplo, fobias.

Sintomas de um ataque de pânico

Este episódio abrupto de medo ou desconforto intenso, geralmente pode ser acompanhado de:

Sintomas físicos

       dificuldade em respirar ou sensação de sufoco;

       palpitações ou taquicardia; 

       dor ou aperto no peito;

       tonturas, sensação de desmaio ou vertigens;

       desconforto abdominal ou náuseas, entre outros.

Sintomas cognitivos

       pensamentos como:

o   “Vou ter um ataque cardíaco”;

o   “Vou morrer”;

o   “Estou a sufocar”;

       desrealização (sensação de que o mundo é irreal);

       despersonalização (sensação de estar desligado de si próprio);

       medo de enlouquecer ou de perder o controlo ou de morrer, entre outros.

Sintomas comportamentais

       evitar locais ou atividades que já provocaram pânico;

       vontade intensa e /ou fugir da situação;

       uso de comportamentos de segurança – comportamentos que a pessoa adota para evitar um ataque de pânico, como por exemplo, respirar de forma excessivamente controlada para impedir um ataque de pânico ou sentar-se junto à saída, entre outros.

Embora o ataque de pânico atinja o pico em cerca de 10 minutos, a recuperação tende a ser gradual. Sintomas residuais como tensão somática, hipervigilância, fadiga e ansiedade, podem prolongar o mal‑estar por 30 minutos ou mais, sem constituírem um novo ataque de pânico (Manjunatha & Ram, 2022). Apesar de serem intensos e assustadores, estes sintomas são temporários e não representam um perigo físico direto, como um ataque cardíaco.

Associação com outras perturbações

O ataque de pânico não é considerado uma perturbação mental (American Psychiatric Association, 2022). Como referido anteriormente, trata-se de um episódio ou de episódios de medo súbito e intenso que podem surgir em diferentes situações, tanto em pessoas com perturbações psicológicas como em pessoas sem qualquer diagnóstico. Por isso, é possível ter ataques de pânico isolados sem preencher critérios para uma perturbação mental.

Embora os ataques de pânico sejam o sintoma central da Perturbação de Pânico – uma condição marcada por ataques de pânico recorrentes, acompanhados de preocupação persistente com a possibilidade de ter novos episódios e de mudanças no comportamento para evitar situações temidas, eles também podem ocorrer em várias outras condições, como:

      agorafobia;

      fobias específicas (ex.: cobras, alturas);

      ansiedade social (ex.: falar em público);

      perturbação de ansiedade generalizada;

      perturbação de stress pós-traumático;

      perturbações depressivas;

      condições médicas (ex.: problemas cardíacos, respiratórios), entre outras.

Causas e fatores associados

Os ataques de pânico podem ter múltiplas origens, que frequentemente se combinam (American Psychiatric Association, 2022). Entre os fatores mais comuns encontram-se:

       Fatores ambientais, como eventos stressantes, conflitos relacionais, mudanças significativas ou experiências passadas difíceis/traumáticas (por exemplo, ter sofrido acidentes, ter sido vítima de violência física, emocional ou sexual);

       Fatores genéticos e fisiológicos, como história familiar de perturbações de pânico ou outras perturbações de ansiedade, maior sensibilidade biológica ao stress, ou condições médicas que afetam a respiração e o funcionamento cardiovascular;

       Fatores psicológicos, incluindo maior propensão para experienciar emoções negativas, maior sensibilidade à ansiedade ou uma tendência para interpretar sensações corporais de forma catastrófica;

Para além destes fatores, determinados aspetos do estilo de vida, como o consumo excessivo de cafeína, a privação de sono e níveis elevados de stress diário, podem não só deixar a pessoa mais vulnerável a experienciar ansiedade e episódios de pânico, como também contribuir para a sua manutenção ao longo do tempo (e.g., Hoppe et al., 2025; Klevebrant, & Frick, 2022)

Apesar de o ataque de pânico não ser considerado uma perturbação, ele pode gerar intenso sofrimento físico e emocional e interferir significativamente no dia a dia da pessoa. Por isso, existem estratégias e tratamentos que ajudam a reduzir a frequência, a intensidade e o impacto destes episódios.

A intervenção pode incluir uma combinação de abordagens, como a terapia psicológica e o tratamento farmacológico (e.g., Bandelow et. al., 2017). A terapia cognitiva-comportamental tem demonstrado elevada eficácia, por exemplo, ajuda a compreender e modificar padrões de pensamento, comportamentos de evitamento e respostas fisiológicas associadas ao pânico (e.g., Papola et al., 2022). Por outro lado, quando necessário, pode ser utilizada medicação, como benzodiazepinas ou antidepressivos, que também se têm revelado eficazes na redução dos sintomas (e.g., Bandelow et.al, 2017).

Se está a experienciar episódios de ataques de pânico, é importante procurar apoio de um profissional de saúde mental, que poderá avaliar a situação, oferecer orientação adequada e ajudar a recuperar o bem-estar. Procurar ajuda logo no início é fundamental para prevenir o agravamento dos sintomas e reduzir o risco de desenvolvimento de outras condições, incluindo a Perturbação de Pânico. Cuide de si.

 Referências

American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais (5.ª ed., texto rev.). Climepsi Editores.

Bandelow, B., Michaelis, S., & Wedekind, D. (2017). Pharmacological treatments in panic disorder in adults: A network meta-analysis. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2017(4), CD011567. https://doi.org/10.1002/14651858.CD011567.pub2

Hoppe, J. M., Björkstrand, J., Vegelius, J., Klevebrant, L., Gingnell, M., & Frick, A. (2025). Acute effects of 150 mg caffeine on subjective, physiological, and behavioral components of anxiety in panic disorder and healthy controls: A randomized placebo-controlled crossover trial. Journal of Psychopharmacology, 39(8), 836–846. https://doi.org/10.1177/02698811251344692

Klevebrant, L., & Frick, A. (2022). Effects of caffeine on anxiety and panic attacks in patients with panic disorder: A systematic review and meta-analysis. General Hospital Psychiatry, 74, 22–31. https://doi.org/10.1016/j.genhosppsych.2021.11.005

Manjunatha, N., & Ram, D. (2022). Panic disorder in general medical practice: A narrative review. Journal of Family Medicine and Primary Care, 11(3), 861–869. https://doi.org/10.4103/jfmpc.jfmpc_888_21

Papola, D., Ostuzzi, G., Tedeschi, F., Gastaldon, C., Purgato, M., Del Giovane, C., … Barbui, C. (2022). Comparative efficacy and acceptability of psychotherapies for panic disorder with or without agoraphobia: Systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. The British Journal of Psychiatry, 221(3), 507–519. https://doi.org/10.1192/bjp.2021.148

Dra. Jacqueline Ferreira 


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